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Tendência sem perder identidade

Andrea Gappmayer Onde: Curitiba • 06 de Outubro - 2026 |

As tendências ampliam o repertório e atualizam a imagem, mas precisam ser filtradas para preservar o DNA e o posicionamento que tornam uma marca reconhecível.

As capitais da moda estão em pleno movimento com as apresentações das coleções internacionais. Quem olha de fora, ou se deixa levar pelo ritmo frenético das redes sociais, pode ter a sensação de que é preciso rasgar o manual da marca a cada seis meses para abraçar a última novidade fashion. Mas, como stylist e estrategista de imagem, meu papel aqui é fazer um convite mais maduro: olhar para o zeitgeist não como um comando de cópia, mas como uma fonte de novas inspirações que atualizam a imagem. Afinal, qual é o limite entre se manter atual e perder o DNA que fez a sua marca ser desejada no mercado?

 

Nesta temporada, o termômetro internacional apontou para caminhos muito claros de comportamento e estética. Elencamos alguns:

 

Retorno do Indie Sleaze sofisticado: o minimalismo excessivamente polido deu espaço a uma rebeldia calculada. Vemos jaquetas de couro, alfaiatarias com um toque desabado e uma estética que lembra o mood despreocupado do final dos anos 2000, mas com um acabamento rigoroso.

 

A arquitetura da transparência e do boudoir: a camisaria leve, as rendas e os elementos de lingerie deixam de ser apenas “roupa de baixo” para assumirem o papel de textura e estrutura na construção do look.

 

O poder da cor sólida: vermelho escarlate, azul, laranja, roxo, verde menta e cereja invadiram tanto a alfaiataria quanto os acessórios, provando que o ponto de cor forte é o atalho mais elegante para injetar modernidade em uma paleta clássica.

 

Com essas três trends em vista e as inúmeras formas de serem pensadas esteticamente pelos estilistas, precisamos entender como “ler” tudo isso e trazer essa bagagem como repertório estético atual, apenas adicionando pitadas de contemporaneidade à imagem final.

 

De forma prática, se a sua marca tem uma pegada clássica, minimalista ou focada em atemporalidade, ver uma passarela cheia de sobreposições caóticas ou transparências ousadas pode gerar pânico. É aí que entra a curadoria de imagem, para absorver a tendência sem diluir a sua identidade. Para esse olhar, trouxe estas três fórmulas de ouro para prestar atenção:

 

1. Filtre o macroelemento da tendência


Se a tendência é o exagero de texturas em um mix de materiais, pergunte-se: como a minha marca veste isso?

 

Se você tem uma marca elegante, com viés em linhas retas, não precisa escolher uma jaqueta de couro metalizada com aviamentos elaborados ou aplicações 3D, mas pode introduzir uma modelagem de jaqueta em couro de corte impecável e linhas puras, trazendo a atitude da temporada através do material, com a sofisticação que sua marca já entrega.

 

2. A regra dos 80/20 nos elementos de styling


Uma marca não precisa mudar seu mood total para parecer atual; ela pode atualizar a linguagem visual.

 

Use 80% do core business da sua marca, suas palavras-chave, tom de voz, posicionamentos, cores, linhas e shapes, e atualize 20% através do styling: a forma como o cinto é arrematado, a introdução de uma bolsa em tom de vermelho cereja ou um sapato com volume orgânico.

 

Isso mostra que sua marca respira o agora, sem parecer uma fantasia passageira. Mas aqui, atenção dobrada à escolha dos itens. O ideal é sempre buscar marcas que tenham o mesmo tipo de posicionamento que sua marca-pessoa. Assim, o cross é reforçado, sem que a marca de moda fale mais alto e você se torne um outdoor ambulante.

 

3. O DNA é inegociável


Tendência passa, posicionamento fica. Se a sua marca pede sobriedade e conforto estruturado, forçá-la a usar uma microtendência de passarela que não conversa com a rotina e a estética é um tiro no pé. O papel da moda deve ser o de tempero, e não o ingrediente principal.

 

Tempere na medida certa para atiçar o desejo, manter-se relevante e interessante e, principalmente, manter o prato principal fiel à receita que construiu a sua reputação.

 

Eu amo acompanhar as semanas de moda nacionais e internacionais, mas o que mais amo é traduzir tudo o que vemos e absorvemos para as marcas com as quais trabalhamos. Sempre com a máxima: menos ruído, mais estratégia.

 

No fim do dia, a trend mais valiosa para a sua marca é aquela em que você sente: “Isso é totalmente a minha MARCA”.

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