Projeto masculino: ainda faz sentido falar nisso?
Onde: • 02 de Abril - 2025 | Fotos Mariana OrsiReforma em São Paulo aposta no estilo industrial, mas mostra que um lar para homem pode ir muito além do preto e cinza

Linhas retas, concreto aparente, marcenaria sob medida e uma paleta majoritariamente escura — preto, cinza e azul profundo. À primeira vista, o apartamento reformado em Moema, zona sul de São Paulo, pode parecer o retrato clássico do que se chama de “projeto masculino”. Mas será que essa definição ainda se sustenta nos dias de hoje?
Assinado por Edson Melo e Pedro Luiz De Marqui, o apartamento de 160 m² foi pensado para um homem solteiro que queria um lar com personalidade. E encontrou isso em soluções práticas, um estilo industrial bem marcante e toques afetivos que falam de suas paixões — como a música, presente em um mural de pôsteres no living.
A base do projeto aposta sim em elementos tradicionalmente associados ao universo masculino: vigas descascadas, aço corten na porta de entrada, cimento queimado e iluminação com spots. Mas é nos detalhes que a narrativa se torna mais interessante. O azul vibrante da marcenaria na cozinha e nas áreas sociais quebra a rigidez, enquanto o toque vintage do bar e o uso de peças de design, como a Womb Chair amarela, revelam sensibilidade e bom humor.
Na suíte, o estilo continua sóbrio, mas com nuances: a cabeceira acolchoada feita sob medida adiciona acolhimento, e o armário com portas de vidro refletente traz sofisticação e leveza.
Mais do que um “projeto masculino”, o apartamento é a tradução do estilo de vida de quem o habita. Em tempos em que os estereótipos de gênero vêm sendo cada vez mais questionados, vale repensar também os rótulos que usamos na arquitetura e decoração. Afinal, um bom projeto não tem gênero — tem identidade.
Serviço
Edson Melo @edsonmelo.arq
Pedro Luiz De Marqui @pedroluiz.demarqui