O novo match do luxo
Onde: • 18 de Setembro - 2026 | Fotos DivulgaçãoComo o mercado imobiliário e a arquitetura têm se apropriado dos códigos e do prestígio do tênis para reinventar a estética do altíssimo padrão.
Se você acompanhou as transmissões dos últimos grandes torneios internacionais, folheou uma revista ou navegou pelos lançamentos imobiliários de altíssimo padrão nos últimos anos, certamente percebeu um movimento claro: a linha que separa o esporte da arquitetura de luxo está cada vez mais tênue. Incorporadoras de grande porte e indústrias do setor de revestimentos e superfícies estão investindo somas expressivas no patrocínio de eventos esportivos, na estética do saibro e no design de clubhouses. Casos emblemáticos ilustram essa tendência: a Tegra Incorporadora atua ostensivamente no Rio Open e no SP Open com motes que conectam a conquista esportiva ao morar bem; a All Wert desenvolve em Porto Belo (SC) um resort residencial com a chancela da Rafa Nadal Academy; a multinacional espanhola Cosentino — gigante das superfícies para arquitetura (Dekton e Silestone) — figura há anos como patrocinadora de destaque do Mutua Madrid Open, enquanto marcas associadas ao ecossistema de luxo como a JHSF promovem ativações em eventos vinculados aos Grand Slams globais. Mas por que exatamente o tênis se tornou a linguagem visual e o vetor de branding preferido do novo mercado imobiliário e do design de interiores?
Para entender o presente, é preciso olhar para a construção histórica do tênis como sinônimo de sofisticação. Nascido no século XII como o "jogo da palma" na aristocracia francesa e posteriormente formalizado nos gramados britânicos no século XIX, o esporte sempre esteve atrelado a um ecossistema de exclusividade. Essa aura permeia a cultura de luxo há décadas. Um divisor de águas simbólico ocorreu no US Open de 1987, quando a campeã Chris Evert interrompeu uma partida para procurar sua pulseira de diamantes riviera que havia se soltado no saibro — imortalizando o acessório para sempre no universo da alta joalheria sob o nome de Tennis Bracelet.
Essa conexão entre a alta joalheria e a quadra ganha contornos contemporâneos no Brasil. Na edição do WTA 250 SP Open, no Parque Villa-Lobos, o prestigiado joalheiro Ara Vartanian — que já assina o troféu oficial do torneio — lançou um colar de edição limitada em ouro e diamantes inspirado em uma fração de segundo do jogo: o momento exato em que a bola toca a rede. A peça retrata o ecossistema do luxo reinterpretando a poesia plástica e a precisão do esporte para criar peças exclusivas de desejo.

Hoje, essa consagração estética atingiu o ápice com o fenômeno do tenniscore. A moda global abraçou o esporte de forma sem precedentes: a Gucci estremeceu os rituais centenários de Wimbledon ao assinar malas e bolsas esportivas exclusivas para o campeão Jannik Sinner, enquanto grifes como Miu Mil e Lacoste transformaram a saia pregueada e as golas polo no uniforme do Quiet Luxury. Enquanto no século XX o golfe deteve o monopólio corporativo da sofisticação, o tênis se consolidou no século XXI como uma linguagem cultural completa: é elegante, dinâmico, saudável e esteticamente impecável.

No branding das marcas de arquitetura e construção, o investimento no tênis funciona em duas frentes complementares. No âmbito institucional, ao associar sua marca a um torneio internacional — como faz a Tegra no Rio e em São Paulo —, a empresa valida sua autoridade no segmento premium. Não se trata apenas de expor um logotipo, mas criar um ambiente de relacionamento corporativo com clientes de altíssimo poder aquisitivo.
Para a Tegra Incorporadora, esse movimento vai além do patrocínio pontual. Segundo Andrea Bellinazzi, diretora de Estratégia de Mercado e Experiência do Cliente da marca, marcar presença em torneios como o Rio Open e o SP Open é uma escolha estrutural. "Nossa presença nos torneios está relacionada à construção de uma associação de longo prazo entre a marca, o esporte, a excelência e um estilo de vida conectado a experiências de qualidade", afirma a executiva. Andrea ressalta que o esporte traduz o novo conceito de morar do público de alta renda. "Para o público de alto padrão, a casa deixou de ser entendida apenas como um patrimônio. Ela passou a representar também bem-estar, identidade, privacidade e experiências. O conceito 'Grandes conquistas começam em casa' traduz justamente essa visão", explica. A estratégia ganha novos contornos no SP Open com o lançamento da nova campanha institucional da marca ("Tegra. Escolha viver assim"), que utiliza a espontaneidade das quadras para transformar as declarações de torcedores aos atletas em um bem-humorado convite de moradia: "Quer morar comigo?".
Na visão do desenvolvimento de produtos, quadras, academias e áreas de wellness passam a compor a proposta central de valor dos empreendimentos. "O tênis tem uma característica interessante porque combina esporte, sociabilidade e uma forte dimensão estética. A decisão de compra envolve fatores como localização, arquitetura e qualidade construtiva, mas percebemos que a oferta de experiências diferenciadas tem ganhado importância crescente na escolha do consumidor de alto padrão", complementa Bellinazzi, ponderando sobre como o esporte ganhou espaço frente a modalidades tradicionais como o golfe. "O tênis dialoga muito bem com diferentes gerações e se encaixa na transformação de um luxo contemporâneo que valoriza saúde, tempo de qualidade e convivência", afirma.
Essa tendência atinge o seu ápice em novos lançamentos de megacomplexos residenciais. Um exemplo recente desse movimento no mercado brasileiro é o novo resort residencial de 220 hectares da incorporadora All Wert em Porto Belo (SC) — apresentado em praças estratégicas como Curitiba pela assessoria e imobiliária boutique Zireh. O empreendimento eleva a chancela do esporte a outro patamar ao trazer um centro de tênis oficial em parceria com a Rafa Nadal Academy — instituição que, curiosamente, também traz a Cosentino como fornecedora global de superfícies e parceira oficial em suas instalações. O projeto catarinense abrigará uma arena para 1.500 espectadores e um ecossistema com 17 quadras exclusivas. Com arquitetura assinada por nomes como Thiago Bernardes e Miguel Pinto Guimarães, o projeto ilustra perfeitamente como o esporte de raquete deixou de ser um mero item de lazer para se tornar a espinha dorsal de posicionamento, lifestyle e valorização patrimonial no altíssimo padrão.

Essa aproximação entre o mercado imobiliário, a alta moda, a joalheria e a arquitetura reflete uma mudança de maturidade no consumo de luxo. O cliente contemporâneo não busca apenas metros quadrados ou materiais nobres isolados; ele busca, em especial, o pertencimento a um ecossistema de sofisticação fluida, ativa e atemporal.

