Masculino, por quê?
Onde: São Paulo • 24 de Junho - 2026 | Fotos Pedro OcanhasAs conexões entre tons escuros e poucos elementos decorativos com o perfil masculino já não fazem sentido diante da diversidade de formas de morar.
Tons escuros, linhas retas e poucos elementos decorativos aparecem com frequência em projetos descritos como masculinos. Mas será que essa associação reflete preferências reais dos moradores ou apenas convenções que continuam sendo reproduzidas?
Quando se fala em arquitetura masculina, muitas vezes não se descreve quem vive na casa, mas um repertório visual construído ao longo do tempo. Cores escuras passaram a ser associadas à sobriedade. Linhas retas foram relacionadas à racionalidade. Ambientes com menos objetos ganharam uma imagem de praticidade. Essas conexões, porém, não são regras naturais nem características exclusivas de um gênero.
Da mesma forma que existem homens que preferem ambientes claros, coloridos e repletos de objetos, há mulheres que se identificam com materiais brutos, paletas escuras e espaços mais contidos. A produção contemporânea mostra que conforto, identidade e estilo não dependem de classificações tão rígidas.
Um apartamento de 160 m² na Vila Nova Conceição, em São Paulo, com projeto assinado pelo escritório AVAA Arquitetura em parceria com a arquiteta Samia Sarayedine Testa, oferece uma boa oportunidade para observar a questão. Desenvolvido para um jovem empresário, o espaço reúne muitos dos elementos que costumam ser associados a um "projeto masculino".
Preto, cinza e madeira escura aparecem em diferentes ambientes do apartamento. O hall de entrada tem atmosfera intimista. Na cozinha, a marcenaria escura acompanha essa composição. A suíte principal mantém o mesmo conjunto de referências.
Mas basta olhar com mais atenção para perceber que a definição não é tão simples. Sofás, poltronas e tapetes apresentam tons neutros e acolhedores. Fotografias de família, livros e objetos decorativos introduzem referências afetivas que se afastam da ideia de um interior rígido ou austero. O projeto também inclui espaços pensados para receber amigos e familiares, além de soluções que acomodam confortavelmente o cachorro do morador.
No caso deste apartamento paulistano, a resposta parece estar menos no gênero do morador e mais na busca por conforto, praticidade e espaços capazes de receber pessoas. Os materiais e a iluminação contribuem para criar a atmosfera, mas não definem sozinhos a personalidade da casa.

