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Arquitetura

Construindo em áreas degradadas

Onde: • 03 de Abril - 2025 | Fotos Parham Taghioff

Em vez de empilhar vidas, a Arquitetura pode devolver às pessoas o que foi perdido: o sentido de pertencimento, o bem-estar e a beleza de viver com dignidade

Em muitas regiões do mundo, a arquitetura não cumpre seu papel essencial: oferecer abrigo com dignidade. Edifícios mal construídos, ausência de espaços verdes, falta de iluminação natural, ventilação ineficiente, isolamento social e ausência total de áreas semiabertas — esse é o cenário de bairros inteiros nas periferias urbanas, nos subúrbios esquecidos ou mesmo em regiões centrais que foram se degradando com o tempo.

 

O que leva as pessoas a viverem assim? A resposta é tão estrutural quanto social. Fatores como pobreza, desigualdade, especulação imobiliária, políticas públicas ineficazes e crescimento urbano desordenado colocam milhões de pessoas em moradias precárias, onde o abrigo se torna apenas uma resposta à sobrevivência, e não à qualidade de vida.

 

E a arquitetura, quando falha ou se ausenta, agrava problemas invisíveis, como a solidão, o estresse crônico, a ansiedade e, em casos extremos, a depressão profunda. Ambientes sufocantes, sem luz, sem natureza, sem beleza — e, sobretudo, sem espaço para convivência — minam a saúde mental das pessoas.

 

 

 

Em regiões como a do Bonlad Residence, no Irã, onde o índice de suicídios é alarmante, a arquitetura ganha um papel de urgência. Projetos como o do escritório Mohat Office surgem como um sopro de possibilidade: criar não apenas um edifício, mas um novo respiro na paisagem urbana e na vida de quem habita ali. O prédio propõe algo raro para contextos como esse: áreas semiabertas, respiro visual, integração com o entorno e uma estética cuidadosa. Tudo isso é mais que design — é sobre cuidado.

 

 

 

Desenvolvido pelo escritório de arquitetura Mohat Office, o projeto busca criar uma abordagem para a habitação em apartamentos na região. Contextualizado em uma área conhecida por seus edifícios de baixa qualidade e falta de espaços semi-abertos, o Bonlad Residence surgiu como uma resposta ao desafio de criar uma habitação que priorize a qualidade de vida. O escritório de arquitetura se inspirou na rica herança cultural da região e criou um projeto que combina a funcionalidade com a beleza.

 

 

 

Uma das principais características do projeto é a criação de espaços semi-abertos, que buscam romper com a limitação dos apartamentos tradicionais. Esses espaços, que incluem terraços e jardins, proporcionam aos moradores uma área de lazer e relativa privacidade. Além disso, a equipe de arquitetos optou por utilizar materiais locais e técnicas de construção sustentáveis, o que ajudou a reduzir o impacto ambiental do projeto.

 

 

 

O edifício é dividido em cinco andares, cada um com uma função específica. O térreo e o subsolo são destinados a usos comerciais e de serviço, enquanto os andares superiores são dedicados às unidades residenciais. Cada unidade é projetada para abrigar uma família, com espaços semi-abertos que se comunicam com os quartos e salas.

 

 

O Bonlad Residence se destaca na paisagem urbana de Ilam

 

 

Detalhe da fachada do edifício, que combina materiais locais e técnicas de construção sustentáveis

 

 

Espaço semi-aberto no terraço, proporciona aos moradores uma área de lazer e relativa privacidade

 

 

 

Ao entardecer, a beleza dos materiais locais e a iluminação natural se destacam

 

O Bonlad Residence é um exemplo inspirador de como a arquitetura pode ser usada para solucionar problemas sociais e melhorar a qualidade de vida. Com sua abordagem inovadora e sua ênfase na sustentabilidade, o projeto se destaca como um exemplo de excelência em habitação no Irã.

 

Serviço

 

Mohat Office
www.mohatoffice.ir

 

 

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