Clima de Arquitetura
Onde: Curitiba • 06 de Julho - 2026 |
Os novos empreendimentos estão mudando a cidade e a praça é o ponto de partida.
A implantação dos novos empreendimentos já não se limita ao lote. Praças, áreas de permanência e conexões com a rua passam a integrar o projeto desde o início, redefinindo a relação entre edifício e cidade.
Esse movimento, frequentemente associado à gentileza urbana, também revela uma mudança na forma de incorporar o clima como variável de projeto. Ao abrir o térreo, ampliar áreas permeáveis e favorecer a circulação de pessoas e de ar, esses espaços passam a atuar na regulação térmica, no sombreamento e na qualificação ambiental do entorno imediato. A praça deixa de ser apenas um gesto urbano e passa a operar como parte do desempenho do edifício, alinhada aos princípios da arquitetura bioclimática.
Em Curitiba, referência em planejamento urbano no Brasil, essa abordagem ganha força à medida que incorporadoras revisitam a forma como seus empreendimentos se inserem na malha urbana. A criação de espaços de uso coletivo, associada a paisagismo qualificado e a uma maior permeabilidade entre público e privado, altera a dinâmica das ruas e qualifica a experiência cotidiana. Ambientes ocupados, com visibilidade e uso contínuo contribuem para uma convivência mais equilibrada e favorecem o uso dos espaços ao longo do dia.
Esse reposicionamento também redefine o papel do térreo dos edifícios. Espaços antes tratados como barreira passam a operar como transição, aproximando arquitetura e cidade. Em muitos casos, as praças e áreas de permanência não integram diretamente o empreendimento, mas surgem como contrapartidas urbanísticas, ampliando o uso coletivo e qualificando o entorno imediato. Ao assumir a manutenção desses espaços ou propor intervenções que extrapolam o lote, os projetos passam a estabelecer uma relação mais direta com a cidade.
Em Palmas, capital do Tocantins, essa lógica evidencia de forma mais direta a relação entre arquitetura e clima. No desenvolvimento do Forma 32, a praça interna conecta o edifício ao parque vizinho e orienta a distribuição dos acessos e áreas comuns. A implantação considera as condicionantes ambientais desde o início, integrando princípios de arquitetura bioclimática com soluções que favorecem ventilação natural, controle de incidência solar e qualificação dos espaços de permanência. A mesma atenção às características locais também orienta o Casa Mirá, empreendimento que parte de uma leitura da arquitetura vernacular do Cerrado para incorporar vegetação nativa, materiais regionais e soluções conectadas às condições climáticas e culturais do território.
A incorporação da praça como elemento de projeto exige decisões precisas. Implantação, fluxos, visibilidade e uso ao longo do tempo passam a ser determinantes. O espaço livre deixa de ocupar áreas residuais e assume função central na organização do edifício e na forma como ele se relaciona com a cidade, aproximando desempenho ambiental e experiência urbana.
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