Casa "Modernistinha"
Onde: • 13 de Maio - 2024 | Fotos Dentro da Fotografia | Estúdio TertúliaMistura única de conforto, familiaridade e estética modernista na reforma da autêntica casa brasileira dos anos 50
“A Rua Silva Jardim é um endereço único na cidade de Belo Horizonte, sempre olhei para essa pequena rua de três quadras, que vai da igreja da Floresta até a Rua Sapucaí, com olhar de admiração. Uma rua de pedra, com casas simples e ar campestre, a poucos metros do hipercentro da cidade”. A afirmação é do arquiteto Pedro Haruf, responsável pela remodelação de uma casa modernista, dos anos 50, com relevância estética e cultural, localizada na rua Sapucaí.

“Chamo-a carinhosamente de 'modernistinha', porque embora não seja uma obra-prima da arquitetura moderna da cidade, me comove porque é uma casa de bairro, comum no sentido de ser uma arquitetura popular, comum, recorrente, mas que mantém uma aspiração modernista em seu DNA”, conta o profissional.

“A casa apresentou alguns caminhos importantes para trabalharmos, como recuperar e valorizar o piso da sala, um taco desenhado com peças de peroba e braúna; os guarda-corpos em serralheria de desenhos geométricos e o quintal, um luxo em pleno centro de Belo Horizonte”, prossegue Pedro.
Após anos em que o imóvel foi utilizado para locação comercial com uma consequente despersonalização, outros desafios também tiveram que ser enfrentados: a compartimentação excessiva, um corredor muito estreito ligando a sala e a despensa, e a escolha descuidada de revestimentos cerâmicos em quase todos os ambientes.
“Com orçamento apertado, optamos por uma planta com poucas modificações, retiramos a parede que dividia a sala e o espaço de TV e reduzimos o banheiro social para criar uma conexão mais confortável entre os espaços.”



A cozinha foi aberta e estendida em direção à despensa - criando uma relação entre o balcão de refeições rápidas - à sala de jantar e a uma despensa aberta que serve de ligação ao alpendre do quintal. Um corredor secundário que ligava a cozinha original à zona exterior foi transformado numa despensa fechada.


A parede do quarto original foi aberta para transformá-lo em escritório e criar ainda mais amplitude em relação aos espaços sociais. Uma grande porta de veneziana de madeira permite a utilização deste espaço de forma intimista e reservada quando necessário.


No quarto principal, o armário atrás da parede da cabeceira, executado em lambris e painel de gesso, tem bordas arredondadas e torna fluida a divisão entre quarto e armário.

Retirada, a cobertura de concreto do piso deu lugar a uma área gramada. O alpendre, que está em um nível muito elevado em relação à grama, foi alterado, criando uma escada/arquibancada que serve como espaço de encontro, conversas e contemplação do jardim.

O mármore, os azulejos, os lambris, os painéis de madeira escura, a serralharia em ferro e o uso de pedras naturais, elementos característicos da arquitetura moderna brasileira dão o tom de resgate histórico ao projeto. “Mesmo assim, tivemos o desafio de fazer isso com moderação e buscar o melhor custo possível para a execução. Optamos então por trabalhar com materiais com muita personalidade, mas de baixo custo, como o granito Candeias, um granito barato, que está presente na sua cor verde escuro”, enfatiza Pedro.

Outro revestimento utilizado foi a marmorita no piso e na parede, elemento recorrente nas construções modernistas, que é um material de qualidade com ótimo custo. Queríamos usar com cacos grandes e fizemos com granito bege baiano descartado. Ainda na questão custo, tivemos a sorte de poder contar com madeira de demolição da fazenda da família do cliente, então foi possível fazer toda a marcenaria com madeira maciça”, diz o profissional.



Detalhes do projeto
Tamanho do terreno: 360 m2
Tamanho da casa: 200 m2
Data da reforma: 2021
Serviço:
Estúdio Pedro Haruf
www.pedroharuf.com

