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Arte por um fio

Onde: São Paulo • 25 de Setembro - 2026 | Fotos Tatiana Mito

Exposição de Sheila Hicks no Instituto Tomie Ohtake mostra como a artista transformou a linguagem têxtil em arte.

Há uma diferença entre usar tecido em um espaço e fazer do tecido uma forma de construir o espaço. É nessa fronteira que se encontra a obra de Sheila Hicks, artista norte-americana que, há quase sete décadas, investiga o fio como matéria, estrutura, cor e volume. Aos 92 anos, Hicks é uma das principais referências na expansão das práticas têxteis na arte contemporânea.

 

É justamente essa trajetória que o Instituto Tomie Ohtake apresenta em “Sheila Hicks – O que que é isso?”, até 25 de outubro, em São Paulo. Com cerca de 30 obras produzidas ao longo de mais de seis décadas, a exposição reúne pequenas tecelagens, relevos, esculturas e instalações de escala arquitetônica, além de uma obra inédita criada especialmente para a mostra.

 

A pergunta que dá nome à exposição surgiu ainda na formação da artista na Yale University. Ao encontrar Hicks experimentando um tear improvisado com chassis de pintura, seu professor Josef Albers perguntou: “Was ist das, girl?” — “O que que é isso, garota?”. A indagação, inicialmente diante de um objeto difícil de classificar como pintura, acabou antecipando uma questão que atravessaria sua carreira: o que acontece quando um material conhecido é retirado de sua função habitual?

 

Hicks havia estudado pintura com Albers e, durante a formação, aproximou-se também das pesquisas sobre arte pré-colombiana do historiador George Kubler. Em 1957, recebeu uma bolsa Fulbright para estudar no Chile. A viagem se transformou em uma extensa investigação pela América Latina, passando por países como Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, onde observou técnicas, materiais e estruturas presentes nas tradições têxteis da região.

 

O interesse da artista não estava apenas na aparência dos tecidos. Hicks procurava entender como eram feitos: como um fio passa por outro, como é torcido, dobrado, amarrado ou tensionado; como uma linha pode formar uma superfície e como uma superfície pode ganhar volume. A construção do objeto tornou-se parte essencial de sua linguagem.

 

A exposição paulistana também recupera uma parte importante dessa formação ao apresentar fotografias feitas por Hicks e pelo fotógrafo chileno Sergio Larrain durante as viagens pela América Latina, além de um núcleo de têxteis andinos pertencentes à coleção Landmann, em comodato de longo prazo ao MASP. O conjunto permite observar as referências que acompanharam a artista sem reduzir sua produção a uma simples transposição de técnicas tradicionais.

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