Sopro contemporâneo

Respeito à arquitetura original dos anos 70 e a coleção de mobiliário brasileiro assinado caracterizam a morada da família Bertoldi na capital paulista

Berenice e Marina Bertoldi, respectivamente mulher e filha do arquiteto Marcos Bertoldi, buscaram pelo apartamento ideal nos principais bairros de São Paulo. Ele seria a moradia permanente para a filha do casal e temporária para os dois, além de ser usado para receber clientes do arquiteto em reuniões ou jantares, além de imprensa e fornecedores. O achado foi no Itaim Bibi, em um edifício modernista dos anos 1970, com marcante arquitetura de Abrahão Sanovicz. "A construtora Formaespaço foi vanguarda nos anos 70, tendo contratado grandes arquitetos da época como Paulo Mendes da Rocha e o próprio Abrahão Sanovicz", pontua Marcos. 

"O ponto de partida para o projeto foi a própria arquitetura do edifício, dotado de estrutura de concreto armado modular e aparente, janelas em fita e portas de piso ao teto, num repertório modernista ainda pouco encontrado nos dias atuais". diz o arquiteto. Sendo assim, os 180 metros quadrados respeitam o projeto arquitetônico original, mas prezam também pela integração visual das diversas áreas e continuidade espacial, através dos materiais que avançam por todas as áreas, como o piso em Resinfloor branco que reveste todos os espaços.

Todos os móveis, assinados pelos mais importantes designers brasileiros, formam uma pequena coleção de mobiliário contemporâneo e modernista brasileiro. Marcos destaca o sofá conversadeira de Bernardo Figueiredo, criado nos anos 60 para o palácio do Itamaraty em Brasília. "O mobiliário autoral nacional confere identidade brasileira e contemporaneidade aos nossos projetos. Dois fatores dos quais não abdicamos. Nos interessa valorizar o trabalho dos designers de nosso tempo."

 

“Não trabalhamos com estilos, estilos ficaram no passado, o único conceito que admitimos é o de contemporaneidade”, categoriza Marcos Bertoldi. Para compor o projeto de interiores do apartamento, ele optou por tons e materiais da natureza sobre um fundo franco. Eliminando o quarto de serviço, a área social ganhou mais espaço, valorizado pelo mobiliário de proporções compactas que se distribui assimetricamente. Isso, explica ele, para além da fluidez espacial, garantir o equilíbrio entre espaços ocupados e vazios e a espacialidade dinâmica, permitindo inclusões ou subtrações

     

A maioria das obras de arte (Sergio Sister, Eduardo Sued, Geraldo Leão e Paolo Ridolfi) e dos objetos já pertencia à família, veio da casa de Curitiba. As obras de Andre Rigatti e Romulo Fialdini (fotos em P&B) foram escolhidas para o novo endereço

Destaque para a cadeira Paulistana, de Paulo Mendes da Rocha. As cadeiras transparentes da Kartell são um contraponto industrial ao artesanal brasileiro

     

O bufê Três, de carvalho, de Jacqueline Terpins, ganhou a companhia do banco Rebanho, de madeira e lã, de Tina e Lui, da mesa Ossos, de madeira e estrutura flexível, do Estudio Manus em parceria com Ricardo Argenton e da cadeira Cassina Zig Zag, ebanizada em preto, de Gerrit T. Rietveld

     

Entre tantas peças de design, destacam-se o sofá Bernardo Figueiredo, projetado nos anos 60 para o palácio do Itamaraty, e a cadeira de balanço Mendes Hirth, já descontinuada. Aqui, compõem a ambientação com as telas de André Rigatti. "O foco é sempre o do deslocamento do usuário, atento às infinitas perspectivas geradas pelos cheios e vazios espaciais, formas, proporções, cores e texturas, de cada elemento"

     

A mesma linguagem da área social, repleta de peças assinadas, se repete nos quartos, finaliza

Fotos Romulo Fialdini

BIO: 
Marcos Bertoldi é formado pela PUCPR e possui mais de 31 anos de experiência profissional em Arquitetura, Arquitetura de Interiores Residencial e Comercial e Paisagismo. Com escritório em Curitiba e em São Paulo, é conhecido por suas construções urbanas contemporâneas. 
 
Serviço:
Marcos Bertoldi Arquitetos
Rua Lourenço Mourão, 44 – Curitiba – PR – (41) 3223-4522
info@marcosbertoldi.com.br | www.marcosbertoldi.com.br

 

Matéria originalmente publicada na edição 70 da revista Casa Sul. Todos os direitos reservados.