ARQUITETURA PARA OUVIR

Projeto arquitetônico faz uso de isolamento acústico e blocos de concreto para um estúdio de som

A sintonia fina entre a técnica, o custo e o apuro estético formaram o tripé que guiou o projeto e construção deste edifício. A arquiteta Carla Kiss e sua equipe conseguiram atingir o balanço harmônico em uma construção que abriga um estúdio de gravação. A técnica reside no tratamento acústico eficiente dos ambientes internos. As esquadrias da Weiku foram fundamentais no desempenho acústico, já que barram boa parte do ruído externo. Percebe-se o relativo baixo custo pelo tom despojado dos ambientes. Ao eliminar o emboço e reboco das paredes, a obra se tornou mais rápida e barata. O resultado é uma estética um tanto brutalista, com o charme que lembra uma instalação industrial no Soho de Nova Iorque, tudo alinhavado com um aspecto neutro, um quadro branco a ser preenchido pelos artistas que usam o espaço. Um lugar onde o aparente estado cru faz emergir a personalidade deste sofisticado e honesto lugar voltado para a música.

1. As paredes em blocos de concreto estrutural imprimem o caráter brutalista da arquitetura, criando uma atmosfera industrial no espaço, como acontece nos lofts do Soho nova-iorquino. Por serem aparentes, foram cuidadosamente assentados e finalizados. 
2. O ambiente é bem iluminado, sem necessidade de qualquer luz artificial durante o dia. Para isso, a arquiteta projetou três grandes aberturas que vão do térreo até o pavimento superior. As esquadrias da Weiku foram fabricadas sob medida para este projeto e proporcionam vedação acústica por meio de uma composição tipo sanduíche, com vidros laminados nos lados internos e externos. Além disso, os vidros contam com aplicação de sílica que impede a umidade.
3. A leveza da escada metálica, com seus degraus vazados, dá fluidez visual ao espaço. De fato, ela parece flutuar no ambiente.
4. O piso em réguas de porcelanato com aspecto de concreto aparente dão continuidade ao tom cru das paredes e, apesar de serem em placas, resultam num visual monolítico. Suas sutis juntas são dispostas no sentido do edifício e, deste modo, reforçam a linearidade do espaço.
 
5. A beleza está nos detalhes. Uma leve soltura entre o forro e a parede valoriza separadamente cada um destes planos. O forro em gesso acartonado recebeu uma cantoneira em todo seu contorno para, discretamente, soltar-se das paredes de blocos de concreto.
6. Os topos das paredes receberam acabamento em emboço e reboco, já que os blocos de concreto exibiriam seus furos nessa situação.
7. O piso em réguas de madeira sugerem que o nível mudou. Não estamos apenas no pavimento superior, mas também em um ambiente mais nobre onde etapas importantes acontecem. Neste nível, a sala de reunião serve para verificar os trabalhos ou comemorar resultados. 
 
8. Os elementos em painéis de madeira com ranhuras, dispostos em ângulos de forma alternada, foram assim projetados para se comportarem como absorvedores, refletores e difusores acústico, resultando no melhor desempenho possível em relação a uma grande variedade de instrumentos musicais.
9. Enquanto o forro acústico apresenta uma distribuição uniforme de orifícios para minimizar a reflexão sonora, o forro central sob medida, como um vórtice no alto da sala, foi desenhado para maximizar a resposta sonora no estúdio.
10. O plano no fundo é um exemplo da técnica que se traduz na composição plástica. Ao lado, a porta tem a missão de reter o som dentro e fora do estúdio.
 

Ficha da obra
Localização da obra: Curitiba
Área do lote: 516 m2
Área total construída: 192 m2
Número de pavimentos: 2 pavimentos
Desenvolvimento do projeto: 2 anos
Ano de conclusão da obra: 2013
 
 
Serviço
Carla Kiss Arquitetura – Rua Itupava, 176 – cs. 01 – (41) 3363-6822 – Curitiba – PR – www.kissarquitetura.com.br
Fornecedores
Weiku – 0800 645 2644 – www.weiku.com.br 
Showroom Qualità – Rua Mauá, 510 – (41) 3016-5510 – Curitiba – PR – www.qualitaacabamentos.com.br

Projeto originalmente publicado na revista Casa Sul edição 77. Todos os direitos reservados.
Fotos MIBcine